O que “O Grande Nevoeiro de Londres” representou e representa?

O que “O Grande Nevoeiro de Londres” representou e representa?

novembro 23, 2019 0 Por Bruna Camilo

Ouçam isso rapazes e moças de toda parte e proclamem aos 4 ventos, a Terra é sua, e a plenitude dela também. Sejam gentis, mas sejam ferozes, mais do que nunca vocês são necessários. Tomem o manto da mudança, pois esse é o seu momento.” – Minha Mocidade de Winston S. Churchill

The Crown é uma série de televisão de drama biográfico criada e escrita por Peter Morgan para a Netflix. A série é uma história biográfica sobre o reinado da Rainha Elizabeth II do Reino Unido a partir de seu casamento em 1947 até aos dias atuais. Mas o que isso tem a ver com o Tempo Em São Paulo? Na primeira temporada, episódio 4 – Ato Divino, o departamento meteorológico emite um alerta climático urgente, que acaba sendo ignorado pelas autoridades.

No dia seguinte ao alerta, 5 de dezembro de 1952, um nevoeiro tomou conta de Londres. O serviço meteorológico emitiu outra nota, relatando que a culpa é do anticiclone persistente que está sobre a cidade. Assim, as fumaças sobre as chaminés estão presas no nível da rua, o que agrava o nevoeiro. Voos foram cancelados, a visibilidade chegou a apenas um metro, trens parados, uma desordem generalizada. As usinas tentaram reduzir a emissão de fumaça, mas o nevoeiro estava imóvel por 50 km.

O primeiro ministro não se importava muito com o assunto, apenas dizia que isso era um nevoeiro causado pelo uso do carvão e que com o tempo iria desaparecer. Errado ele não estava, realmente desapareceu, no dia 9 de dezembro de 1952, mas acontece que esse não era um nevoeiro comum, as pessoas estavam respirando dióxido de enxofre tóxico, os hospitais estavam lotados e houveram de 3.500 a 4.000 mortes. Não pense que isso é algo que faz parte do enredo da série, foi um caso que realmente aconteceu e ficou conhecido como o “O Grande Nevoeiro de Londres”.

Mais de 60 anos depois, uma equipe internacional de químicos descobriu por que essa névoa que esteve sobre Londres era fatal e estimando que mais de 12 mil pessoas possam ter morrido por conta desse ocorrido. Em 2016, a Proceedings of the National Academies of Sciences divulgou o trabalho (clique aqui para ler) que mostra que uma das características desse nevoeiro foi a presença de partículas de ácido sulfúrico e sulfato que junto deram o tom escuro ao nevoeiro, o odor e claro os efeitos tóxicos para os humanos.

Uma combinação de produtos químicos e um clima desfavorável (lembram do anticiclone?) levou à formação do Grande Nevoeiro com partículas corrosivas que cobrem todas as superfícies com as quais entram em contato, de calçadas a pulmões.

O estudo sugere que as condições por trás dessa tragédia podem se desenvolver em todo o mundo, e nós do Tempo Em São Paulo não descordamos. Todos sabemos que o mundo está com o nível de poluição altíssimo, temos sentido isso na pele quando o clima fica mais seco e a umidade relativa do ar abaixa.

Vocês se lembram de quando são paulo ficou cinza, mais do que é, e a chuva ficou escura? (Relembre aqui) Isso ocorreu no dia 19 de agosto desse ano por conta dos incêndios florestais.

Um teste foi feito pelo Instituto de Química Universidade de São Paulo e identificou a presença de reteno, uma substância proveniente da queima de biomassa e considerada um marcador de queimadas.

A Universidade Municipal de São Caetano também realizou um exame e mostrou que a concentração de fuligem foi sete vezes maior do que a registrada na água de uma chuva normal. Você pode ler mais sobre isso aqui.

Onde queremos chegar? Queremos mostrar que não é de hoje que as pessoas estão extrapolando o uso de recursos de naturais e que estão produzindo um número alto de poluição. Se desde 1952 já houve um grande problema em relação a esse assunto, imaginem agora em 2019? 67 anos depois a situação só piorou! Há leis, há pessoas conscientes mas não há o bastante.

De acordo com o Ministério da Saúde em 2018 houve um aumento de 14% em 10 anos nas mortes devido à poluição (saiba mais aqui). Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), foi calculado que ocorram anualmente 4,2 milhões de mortes prematuras atribuídas à poluição do ar ambiente no mundo.

A organização também estima que a poluição do ar tenha sido responsável no ano de 2016 por cerca de 58% de mortes prematuras por doenças cerebrovasculares (DCV) e doenças isquêmica do coração (DIC); 18% por doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e infecção respiratória aguda baixa; e 6% por câncer de pulmão, traqueia e brônquios.

Vocês perceberam o impacto? Não estamos matando o planeta apenas. Estamos nos matando aos poucos. Muitos danos foram causados e são irreversíveis, mas outros não. A mudança precisa começar agora, precisamos pensar no nosso futuro e no futuro dos próximos. Nunca é tarde para tentar concertar um erro.

CRÉDITOS:

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